Vacinas contra a dengue: quem pode tomar Qdenga, Butantan-DV e Dengvaxia — e quem fica de fora

  • 11/06/2026
(Foto: Reprodução)
Vacinas contra a dengue: quem pode tomar Qdenga, Butantan-DV e Dengvaxia — e quem fica de fora Reprodução/EPTV /Governo de São Paulo / Yuri Cortez/AFP A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan levou muitos brasileiros a buscar informações sobre os imunizantes disponíveis no país. Hoje, três vacinas têm registro da Anvisa — Qdenga, Butantan-DV e Dengvaxia —, mas cada uma foi testada em grupos diferentes e segue critérios próprios de indicação e segurança. Enquanto o Ministério da Saúde investiga 42 casos de reações graves registrados após a aplicação da Butantan-DV, especialistas ressaltam que as vacinas contra a dengue não são intercambiáveis: variam conforme a idade, o histórico de infecção pela doença e outras condições de saúde. Entenda quem pode receber cada imunizante, quem fica de fora das recomendações e os motivos dessas restrições. Abaixo, entenda quem foi estudado, quem recebeu aval para vacinação, quem pode tomar na prática e quais grupos ficaram de fora das recomendações. Qdenga: aprovada para quem já teve ou nunca teve dengue A Qdenga (TAK-003), da farmacêutica japonesa Takeda, foi aprovada pela Anvisa em março de 2023. O imunizante utiliza vírus vivos atenuados e induz resposta imunológica contra os quatro sorotipos da dengue. Segundo o infectologista e pesquisador Antônio Carlos Bandeira, a vacina tem como base o vírus da dengue tipo 2 atenuado e incorpora proteínas dos vírus dos tipos 1, 3 e 4. Entenda como funciona a vacina contra dengue suspensa pelo Ministério da Saúde Quem foi estudado A vacina foi estudada em pessoas de 4 a 59 anos. Quem recebeu aval da Anvisa A Anvisa aprovou a aplicação para a mesma faixa etária analisada nos estudos: de 4 a 59 anos. Quem pode tomar na prática A vacina pode ser aplicada em pessoas de 4 a 59 anos - tanto em quem já tive dengue quanto naqueles que nunca tiveram contato com o vírus. No SUS, a vacinação está restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Quem ficou de fora dos estudos Pessoas com menos de 4 anos e com mais de 59 anos não fizeram parte da população estudada, assim como gestantes e pessoas com imunodeficiência mais severa (ex.: pessoas com HIV, câncer, em tratamento com quimioterapia e com doenças autoimunes). Quem não deve tomar A vacina é contraindicada para: pessoas imunossuprimidas; gestantes; lactantes; indivíduos com alergia a componentes da fórmula. Por que há esse recorte A aprovação da Anvisa seguiu a faixa etária avaliada nos estudos clínicos. Já a restrição no SUS ocorre porque a vacinação foi direcionada ao grupo de 10 a 14 anos, considerado prioritário por concentrar elevada taxa de hospitalizações após os idosos. Eficácia Segundo resultados atualizados do estudo TIDES, divulgados em novembro de 2025, a eficácia geral foi de 80,2% contra dengue causada por qualquer sorotipo após 12 meses da segunda dose. A vacina reduziu as hospitalizações em 90%. Ao longo de sete anos de acompanhamento, os dados mostraram redução de 84% no risco de hospitalização e de 61% nos casos sintomáticos. Dengvaxia: indicada apenas para quem já teve dengue A Dengvaxia, da francesa Sanofi, foi a primeira vacina contra a dengue aprovada pela Anvisa e permaneceu como a única disponível no país até a chegada da Qdenga, em 2023. Segundo Bandeira, a estrutura da vacina utiliza o vírus da febre amarela como base e incorpora componentes dos quatro sorotipos da dengue. Quem foi estudado O imunizante foi estudado em pessoas de 9 a 45 anos. Quem recebeu aval da Anvisa A aprovação contempla pessoas de 9 a 45 anos que já tiveram dengue. Quem pode tomar na prática A vacina está disponível apenas na rede privada e só pode ser aplicada em pessoas com infecção prévia comprovada. A bula determina a realização de teste laboratorial ou sorológico para confirmar o contato anterior com o vírus. Quem ficou de fora dos estudos Pessoas com menos de 9 anos e mais de 45 anos não participaram dos estudos citados. Quem não deve tomar A vacina é contraindicada para: pessoas que nunca tiveram dengue ou que não consigam comprovar infecção anterior. pessoas com hipersensibilidade aos componentes da vacina ou que tiveram reação alérgica grave após dose anterior; pessoas com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo imunossupressão causada por doenças ou medicamentos; gestantes lactantes Por que há esse recorte Estudos da fabricante mostraram que indivíduos sem infecção prévia que receberam a vacina apresentaram, ao longo do tempo, maior risco de desenvolver formas graves da doença após uma infecção natural. Por isso, a Anvisa e a Organização Mundial da Saúde recomendam a vacinação apenas para quem já teve dengue. Eficácia Segundo a fabricante, a vacina previne aproximadamente oito em cada dez casos graves ou com necessidade de hospitalização. “A Dengvaxia é hoje muito pouco usada. Ela tendencialmente foi ficando bastante de lado em relação à Qdenga e à Butantan-DV. Temos procurado não utilizar essa vacina porque é mais trabalhoso. Você precisa saber se teve dengue ou não”, explica Bandeira. Butantan-DV: a primeira vacina brasileira contra a dengue A Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é a primeira vacina 100% brasileira contra a dengue e também a primeira do mundo aplicada em dose única. O imunizante foi desenvolvido para proteger contra os quatro sorotipos do vírus e oferece proteção por pelo menos cinco anos, segundo os dados disponíveis. Segundo Bandeira, a vacina se baseia na atenuação dos vírus da dengue tipos 1, 3 e 4, enquanto componentes do tipo 2 são inseridos na estrutura baseada no vírus da dengue tipo 4. O médico acrescenta ainda que, apesar de a vacina ter sido liofilizada no Brasil e os estudos de aprovação de fase 3 terem ocorrido também no país, esta é uma vacina com componente inicial desenvolvido pelo National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos. Quem foi estudado A vacina foi estudada em cerca de 16 mil participantes de 2 a 59 anos, distribuídos em 17 centros de pesquisa no Brasil. Quem recebeu aval da Anvisa A aprovação foi concedida para pessoas de 12 a 59 anos. Quem pode tomar na prática A vacina pode ser aplicada em pessoas que já tiveram dengue e também naquelas sem infecção prévia. A imunização começou em janeiro deste ano, inicialmente voltada para profissionais de saúde, que receberam 417 mil doses. Outras 83,6 mil doses foram aplicadas em moradores de municípios de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins. Segundo o Ministério da Saúde, não houve relato de eventos adversos entre os moradores dessas localidades. Quem ficou de fora dos estudos Não participaram dos estudos pessoas com menos de 2 anos e com mais de 59 anos. Quem não deve tomar crianças menores de 12 anos adultos com 60 anos ou mais pessoas com imunossupressão causada por doença ou pelo uso de medicamentos imunossupressores, como consta na bula. pessoas com histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina gestantes lactantes Por que há esse recorte Embora o imunizante tenha sido estudado entre 2 e 59 anos, a Anvisa aprovou seu uso apenas para pessoas de 12 a 59 anos porque a eficácia observada foi maior nesse grupo. Além disso, como a vacina é com vírus vivo atenuado, embora os vírus tenham sido enfraquecidos para não causar a doença em pessoas saudáveis, existe preocupação de segurança em indivíduos com o sistema imunológico comprometido. Eficácia Após cinco anos de acompanhamento, a eficácia geral foi de 65% contra dengue sintomática confirmada por exame laboratorial. A proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme chegou a 80,5%. Entre pessoas que já haviam sido expostas ao vírus, a eficácia foi de 77,1%. Entre aquelas sem infecção anterior, foi de 58,9%. Por que a Butantan-DV foi suspensa? Na segunda-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina após o registro de 42 casos de reações severas. Até 30 de maio, haviam sido aplicadas cerca de 500 mil doses. Nesse período, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% do total de vacinados. Os 42 casos classificados como graves corresponderam a 0,008% das pessoas imunizadas. Entre eles, foram identificados três episódios considerados graves, incluindo duas mortes. Segundo o ministério, ainda não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a aplicação da vacina e os óbitos. Por isso, a investigação continuará. LEIA TAMBÉM: 'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo', diz ex-diretor da Anvisa Como funciona o sistema que identificou os sinais de alerta na vacina da dengue do Butantan Imunizados há mais de 21 dias contra a dengue podem ficar 'absolutamente descansados', afirma diretor do Butantan Vacina do Butantan contra a dengue é suspensa; entenda o que levou à decisão e o que fazer se você já foi vacinado Por que uma vacina aprovada tem registro de eventos raros e como isso impacta a segurança? Especialistas explicam a suspensão da Butantan-DV Suspensão da vacina da dengue do Butantan: quais os próximos passos após anúncio do Ministério da Saúde? 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FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/06/11/vacinas-contra-a-dengue-quem-pode-tomar-qdenga-butantan-dv-e-dengvaxia-e-quem-fica-de-fora.ghtml


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