Relembre a fuga de Carla Zambelli e sua prisão na Itália
22/05/2026
(Foto: Reprodução) Tribunal na Itália ordena libertação da ex-deputada Carla Zambelli
Nesta sexta-feira (22), a Corte Suprema de Cassação da Itália, a instância mais alta do Judiciário do país, negou o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil, segundo seu advogado, Alessandro Sammarco.
Dessa forma, o tribunal anula a decisão anterior, que dava o aval para o retorno de Zambelli ao Brasil, onde há uma condenação à prisão. De acordo com Sammarco, Zambelli deve ser solta no sábado (23), mas não há posição oficial do tribunal divulgada até a última atualização desta resportagem.
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O ministro da Justiça italiano ainda poderia se manifestar sobre a decisão, caso a Corte de Cassação aprovasse o pedido, feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil.
➡️ A decisão desta sexta se refere ao caso da invasão dos sistemas do CNJ. Há um outro processo de extradição correndo na Justiça italiana, relativo à ameaça da então deputada com arma de fogo na véspera da eleição de 2022. Não há data para o julgamento deste pedido na Itália.
Carla Zambelli está presa na Itália desde o dia 29 de julho de 2025. A ex-deputada federal está em um presídio nos arredores de Roma que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta
Relembre o caso, a seguir:
A ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), em foto de arquivo.
NINO CIRENZA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, deixou o país em 25 de maio de 2025 pela fronteira com a Argentina, na região de Foz do Iguaçu (PR). A fronteira com a Argentina não exige controle migratório e, por isso, a saída de Zambelli não foi registrada oficialmente pela Polícia Federal (PF).
Uma vez na Argentina, Zambelli se dirigiu a Buenos Aires de onde, via o Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, em Ezeiza, partiu para a Flórida, nos Estados Unidos.
No dia 5 de junho, a então deputada desembarcou em Roma, na Itália. Sua chegada no país europeu ocorreu antes de seu nome ser incluído na difusão vermelha da Interpol, na manhã do mesmo dia.
Em um vídeo feito para seus apoiadores, Zambelli afirmou ser "intocável" na Itália, pelo fato de ter cidada italiana.
Pelo fato de ter o nome na lista de difusão vermelha da Interpol, uma vez que as autoridades tiveram conhecimento de seu paradeiro, Zambelli foi presa pelas autoridades italianas e enviada à ala feminina do presídio de Rebibbia, em Roma. O endereço onde ela estava, no bairro Aurelio, um subúrbio nobre da capital italiana, foi informado à polícia pelo deputado italiano Angelo Bonelli.
Presídio de Rebibbia
A unidade prisional na Itália onde Zambelli permanece sofre com um problema grave de superlotação. Apesar de ter capacidade para receber apenas 272 mulheres, atualmente 371 estão presas lá.
Outro problema é o déficit de funcionários. De acordo com o site do Ministério da Justiça italiano, até junho deste ano, 181 agentes penitenciários atuavam no local, sendo que o necessário seria 214. O número de membros da administração também está abaixo do esperado, assim como o de educadores.
Vista interna de uma das alas do presídio feminino Germana Stefanini, em Roma
Divulgação
Processo de extradição
O processo que corre na corte em Roma julga um pedido do STF para que Zambelli, presa após pedido da Interpol no país europeu, seja devolvida à Justiça brasileira.
Após a prisão, Zambelli disse que quer ser julgada no país europeu e que provaria que não tem envolvimento na invasão do sistema do CNJ. A Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o julgamento, por entender que há risco de fuga.
👉 O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro ordenou em dezembro a cassação do mandato de Zambelli, revogando decisão contrária da Câmara dos Deputados. Ela entregou uma carta de renúncia à Casa três dias depois.
➡️ Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e fugiu para a Itália após a decisão. Ela é considerada foragida da Justiça brasileira.
A deputada licenciada Carla Zambelli chega para audiência no Tribunal de Apelações de Roma, em 27 de agosto de 2025.
TV Globo
Argumentos da defesa
Os defensores da ex-deputada mantêm a tese de que Zambelli sofre perseguição política e judicial no Brasil. Para reforçar esse argumento, a defesa apresentou aos juízes o parecer da Comissão de Constituição e Justiça que se pronunciou contrária à cassação do mandato da deputada federal. Mas a situação mudou.