'Hoje é meu velório': homem com câncer terminal celebra despedida com chope, roda de samba e risadas

  • 30/05/2026
(Foto: Reprodução)
'Hoje é meu velório', diz homem com câncer terminal em celebração com chope e samba Flores, música e muito amor. Com discos pendurados pelo espaço, amigos reunidos e um anfitrião vestido para celebrar a própria história, o velório em vida de Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, esteve longe de uma despedida marcada pela dor. Veja o vídeo acima. Em Campo Grande, os abraços foram longos, os sorrisos sinceros e as lágrimas carregavam afeto, não sofrimento. Diagnosticado com câncer de estômago e sem possibilidade de cura, Tiago decidiu reunir as pessoas que ama para celebrar a vida enquanto ainda pode compartilhar cada abraço, cada história e cada homenagem. 'Hoje é dia de celebrar a vida' Poucas pessoas acordam pensando no próprio velório. Tiago acordou. "Foi engraçado, porque a gente não acorda normalmente pensando: 'opa, hoje é o dia do meu velório'. Essa sensação é muito maluca", contou ao g1 antes do início da festa. Mas a palavra "velório" não traduz exatamente o que aconteceu no antigo galpão de uma cervejaria, em Campo Grande. O espaço foi tomado por flores, música e gente disposta a celebrar a trajetória de um homem que se recusou a ser definido pelo câncer. "Hoje não é uma despedida. Hoje é dia de celebrar a vida. Apesar do nome ser velório, não se trata de morte. É uma festa sobre a vida, sobre aproveitar a vida, sobre viver." Tiago Pitthan durante a celebração da própria vida, realizada em Campo Grande. Alison Lima A ideia nasceu da ausência de alguém A inspiração para o evento surgiu em agosto de 2024, durante o velório do pai. Tiago lembra que a cerimônia foi bonita. Amigos contavam histórias, davam risadas e compartilhavam lembranças. Mas algo chamou sua atenção. "Ninguém sabe mais sobre meu pai do que ele mesmo. Faltou ele ali." Foi naquele momento que tomou uma decisão. "Naquele momento eu decidi que não ia faltar no meu velório." A ideia começou como um encontro pequeno entre amigos próximos. Com a repercussão da história, porém, a celebração ganhou proporções muito maiores. LEIA TAMBÉM 'Não vou faltar no meu': homem com câncer terminal organiza festa para o próprio velório (em vida) Uma história que atravessou o país Entre os convidados estavam a servidora pública Lícia Freitas, de 43 anos, e o servidor público Ramon Santos, de 56 anos. O casal viajou de João Pessoa, na Paraíba, para Campo Grande apenas para participar da celebração. Lícia Freitas, Ramon Santos e Tiago Pitthan. Alison Lima Eles conheceram Tiago por meio de reportagens publicadas na imprensa nacional e decidiram fazer a viagem depois de se identificarem com a história. "Me tocou bastante a história dele e ver como ele encara a vida abreviada", contou Lícia. A identificação tem uma razão pessoal. O pai dela morreu após enfrentar o mesmo tipo de câncer. "Meu pai, assim como ele, teve muita coragem, muita resiliência e aceitou a morte como consequência da vida. Em nenhum momento lamentou." Para Ramon, a principal lição deixada por Tiago é não permitir que o medo paralise a existência. "Ele é um sujeito admirável e não deixou a proximidade da morte paralisar a vida." O diagnóstico que mudou tudo A história começou durante o réveillon de 2023 para 2024, em Bonito. Durante a ceia, Tiago percebeu que não conseguia se alimentar normalmente. Depois de meses de exames, recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico, um tipo de câncer de estômago. A expectativa inicial era de cirurgia. No entanto, os médicos descobriram que a doença já havia se espalhado para outras partes do corpo. "Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo." Mesmo assim, ele escolheu encarar a situação de uma forma diferente. "Quando recebi o diagnóstico, foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo. E decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem." 'Eu não estou morrendo' Quadro para mensagens de despedida. Alison Lima Ao longo da tarde, Tiago repetiu diversas vezes a mensagem que queria deixar para os convidados. "As pessoas perguntam para mim como é estar morrendo. E eu só tenho uma resposta para dar: eu não estou morrendo, eu estou vivendo." Segundo ele, a doença é apenas uma parte da história. "Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo." Com um figurino colorido escolhido especialmente para a ocasião, ele circulou entre os convidados, recebeu abraços, ouviu histórias e participou das apresentações musicais. Antes de voltar para a festa, resumiu em poucas palavras o que esperava daquele dia. "Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção." E foi exatamente isso que aconteceu. Porque, nesse sábado, em Campo Grande, o homenageado não estava sendo velado. Estava vivendo. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/05/30/hoje-e-meu-velorio-diz-homem-com-cancer-terminal-em-celebracao-com-chope-roda-de-samba-e-risadas.ghtml


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