Genial identificou investigação da CVM contra empresário antes de operação para compra da Terrana, diz MP

  • 25/09/2026
(Foto: Reprodução)
3° fase da operação Carbono Oculto faz buscas contra executivos do Banco Genial e delator do Banco Master O Banco Genial identificou, durante procedimentos internos de compliance, que o empresário Antonio Carlos Freixo Junior e a Entre Investimentos eram alvo de um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de participar da estrutura financeira usada para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Mesmo após a identificação, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a operação prosseguiu. O processo citado pela investigação apurava operações envolvendo cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário e tinha, além de Freixo e da Entre, o Banco Master, Daniel Vorcaro e a Viking Participações entre os acusados. A CVM afirma que a acusação envolvia a realização de operações fraudulentas no mercado de capitais. Em 8 de setembro deste ano, após anos de tramitação, a CVM condenou Freixo a multa de R$ 5 milhões e a Entre Investimentos, a R$ 10 milhões pela prática de operação fraudulenta. No mesmo processo, Daniel Vorcaro foi condenado a multa de R$ 20 milhões; o Banco Master, a R$ 12,5 milhões; e a Viking Participações, a R$ 10 milhões. Segundo a CVM, os punidos podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, com efeito suspensivo. Freixo e Entre aparecem em nova investigação Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro Reprodução Na investigação sobre a Terrana, o Gaeco aponta a Entre Investimentos como uma das estruturas utilizadas para financiar a aquisição da distribuidora e atribui a Freixo participação na movimentação dos recursos. Segundo o Ministério Público, a compra teria sido feita, na prática, por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, acusados de comandar esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis. Formalmente, entretanto, foi montada uma estrutura envolvendo fundos de investimento, holdings e operações de crédito que, segundo os investigadores, teria servido para ocultar os verdadeiros beneficiários. O Gaeco sustenta que a Usina Itajobi recebeu R$ 20 milhões da Entre Investimentos em uma conta aberta na Credihome Sociedade de Crédito Direto em dezembro de 2024. Segundo a investigação, a conta foi usada apenas como passagem: o dinheiro teria sido posteriormente destinado ao fundo Radford. O Radford, por sua vez, foi peça central da estrutura usada para financiar a aquisição. As defesas de Roberto Leme e Mohamad Hussein informaram que seus clientes "não foram alvos da operação deflagrada pelo Gaeco na data de hoje e desconhecem os fatos em investigação”. Estrutura passou pelo Banco Genial O Radford havia sido constituído sob administração da Ruby Capital, ligada à Altinvest, e passou a ser administrado pelo Banco Genial em agosto de 2024. Segundo os documentos apresentados pelo próprio banco à investigação, o fundo aplicou recursos em Certificados de Depósito Bancário Vinculados (CDBVs) emitidos pelo Genial. O banco, por sua vez, concedeu empréstimos às empresas Berna Holdings e Branson Holdings, abertas em nome do empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral, apontado pelo Gaeco como interposta pessoa na compra. As duas empresas utilizaram os recursos para adquirir ativos ligados à Terrana e ao fundo Derby 44, segundo a investigação. Para o Gaeco, a operação era circular: os recursos utilizados para financiar Berna e Branson estavam aplicados no Radford, cujo único cotista era a Usina Itajobi, empresa que a investigação atribui ao grupo de Beto Louco e Primo. O juiz classificou essa relação como “circular” ao autorizar as medidas solicitadas pelo Ministério Público. Processo da CVM também envolvia Banco Master O processo identificado pelo compliance do Genial aponta que, além de Freixo e da Entre, estavam no mesmo caso Banco Master e Daniel Vorcaro. Segundo a CVM, a Entre atuou como contraparte em negociações de cotas do Brazil Realty FII, enquanto Freixo era seu diretor responsável. O Banco Master — então denominado Banco Máxima — havia subscrito cotas do fundo; Daniel Vorcaro era diretor do banco e responsável pela Viking Participações. A área técnica da CVM propôs responsabilizá-los pela realização, em tese, de operações fraudulentas. O processo atravessou diversas tentativas de acordo. Em 2022, Freixo ofereceu pagar R$ 200 mil e a Entre, R$ 300 mil para encerrar administrativamente o caso. Banco Máxima, Vorcaro e Viking haviam oferecido conjuntamente R$ 1 milhão. As propostas não encerraram o processo. Em dezembro de 2025, depois de novas negociações, a Entre ofereceu R$ 4,95 milhões e Freixo, R$ 2,475 milhões. Master, Viking e Vorcaro ofereceram, juntos, R$ 13,86 milhões. O Colegiado da CVM rejeitou novamente a celebração dos termos de compromisso. O caso acabou levado a julgamento em setembro deste ano, quando ocorreram as condenações. R$ 20 milhões passaram pela Entre, diz investigação Na investigação da Terrana, o Gaeco também aponta outras movimentações envolvendo a Entre. Relatórios de inteligência financeira citados na decisão judicial mostram que a empresa recebeu R$ 32,48 milhões da Duvale Distribuidora e enviou R$ 2,84 milhões ao escritório Garcia Peres Advogados, apontado pelos investigadores como responsável por parte da estrutura jurídica e societária utilizada na aquisição da Terrana. A Entre também aparece como cotista do Rover FIDC, cujos ativos incluíam notas comerciais de empresas que a investigação atribui a Beto Louco e Mohamad. O Gaeco afirma que a Entre teria atuado na lavagem de recursos da organização criminosa. A conclusão ainda é objeto de investigação e não representa condenação de Freixo ou da empresa nesse caso. O que diz o Banco Genial O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição. Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis. No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época. A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles. Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados. A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/25/genial-identificou-investigacao-da-cvm-contra-empresario-antes-de-operacao-para-compra-da-terrana-diz-mp.ghtml


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