Filipe Toca enlaça memórias afetivas em álbum guiado pela doçura nordestina

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
Filipe Toca lança o primeiro álbum de estúdio, 'Muita sede', na quinta-feira, 28 de maio Ian Rassari / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Muita sede Artista: Filipe Toca Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ “Caju” e “Cajuína” são as primeiras palavras ouvidas no primeiro álbum de estúdio de Filipe Toca, “Muita sede”, gravado com produção musical de Juliano Valle e programado para ser lançado na quinta-feira, 28 de maio. Alocadas no verso inicial do xote “Mangaba menina”, ambas dão a pista certeira desse álbum em que cantor e compositor potiguar – nascido Filipe Vieira Fonseca em Natal (RN), mas residente em São Paulo (SP) desde 2020 – se situa geralmente com doçura no universo da música nordestina. O feat com a baiana Agnes Nunes em “Borboleta furta-cor” e o dueto com a pernambucana Duda Beat em “Olhar de quem não presta” – faixas já apresentadas em singles lançados antes do álbum – sublinham a intenção do artista de gravitar em torno da nação musical nordestina. Faixa na qual reside o foco atual do álbum “Muita sede”, o xote “Outro áudio meu” expõe a delicadeza romântica que rege o canto e a música de Filipe Toca, artista que está mais para Geraldo Azevedo do que para Alceu Valença na dinastia nordestina da MPB. Já “Fiapinho de amor” reforça o fato de o repertório autoral do artista ecoar memórias afetivas e existenciais em teia sonora quase sempre suave. Pontuada pela sanfona recorrente no álbum, a confessional canção “Pai e mãe” sobressai no repertório de Filipe ao reverberar o sentimento nostálgico e meio melancólico do retirante fora da terra natal, com a saudade do colo familiar em confronto com a certeza de que a migração foi benéfica para o crescimento existencial e/ou profissional. Contudo, música nordestina também é sinônimo de festa, sobretudo no circuito junino. Forró que conjuga animação e doçura, “Foi no São João” versa sobre a saudade de um amor nascido nesse tempo de festa em gravação que junta a voz de Filipe Toca com o canto de Mariana Aydar, artista paulistana associada à música nordestina. Já “Quinta, quase sexta” evolui na pisada do baião, mas desloca a narrativa afetiva para a cidade de São Paulo (SP), metrópole que abriga os anseios do artista potiguar. Se o interlúdio “Bença” reverbera a aridez moura do sertão nordestino, evocando a prosódia dos cantadores da região com certo ar sagrado, a música-título “Muita sede” arremata o álbum com pegada que sacia a vontade de dançar ao som do forró, diluindo a suavidade dominante nas dez faixas do disco. É quando o pulso arretado do forró se impõe sobre memórias e saudades afetivas, mas, ainda assim, sem anular a sensibilidade que move o coração de Filipe Toca neste promissor primeiro álbum de estúdio. Capa do álbum 'Muita sede', de Filipe Toca Ian Rassari / Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/05/27/filipe-toca-enlaca-memorias-afetivas-em-album-guiado-pela-docura-nordestina.ghtml


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