'Ela queria sempre se superar': quem era Eliana Tamietti, ciclista que morreu durante prova entre SP e MG

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
Atleta mineira morre durante competição de ciclismo de ultradistância entre SP e MG Conhecida no meio esportivo como “Lili”, a ciclista mineira Eliana Tamietti, de 48 anos, era vista por amigos e companheiros de pedal como um símbolo de superação, liberdade e transformação pelo esporte. Apaixonada pelo ciclismo, ela começou a pedalar depois dos 40 anos, se reinventou como atleta e se tornou referência feminina nas provas de ultradistância no Brasil. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Eliana morreu na madrugada de sábado (9) enquanto participava de uma prova do Bikingman Brasil, na região de Piranguçu, no Sul de Minas. A atleta disputava uma edição da competição com percurso de 555 quilômetros, com saída e chegada em São José dos Campos (SP), passando por cidades de Minas Gerais e São Paulo pela Serra da Mantiqueira. Segundo o diretor da prova, Vinícius Martins, ainda não há informações conclusivas sobre as circunstâncias da morte. “Ela teve um mal súbito, não se sabe exatamente o que foi. Ela estava em cima da bicicleta e bateu no barranco”, afirmou. Quem era Eliana Tamietti, ciclista que morreu durante prova entre SP e MG Redes sociais Leia também: Atleta mineira morre durante competição de ciclismo de ultradistância entre SP e MG Ainda segundo Martins, Eliana pedalava ao lado de outros três ciclistas. O grupo havia feito uma breve parada durante o percurso e ela seguiu alguns segundos à frente antes da queda. Os próprios participantes acionaram o socorro imediatamente. Equipes do Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil estiveram no local, mas o óbito foi constatado ainda na estrada. A morte ocorreu pouco tempo depois de a atleta atravessar um dos trechos mais difíceis da competição, passando pela Serra de Luminosa, em estradas conhecidas por integrarem o Caminho da Fé, rota de cicloturismo entre cidades paulistas e mineiras com destino a Aparecida (SP). Confira abaixo o rastreamento pelo GPS da atleta: 8 de maio, 5h: início da corrida em São José dos Campos (SP). 8 de maio, 12h: atleta deixa São Paulo e chega a Minas Gerais, na região de Monte Verde, após percorrer 93,4 km. 8 de maio, 18h: ciclista passa por Gonçalves (MG) após percorrer 148,4 km. 9 de maio, 2h23: Eliane chega ao ponto mais alto da prova, na região de São Bento do Sapucaí (SP), a 1.809 metros de altitude. 9 de maio, 4h27: após percorrer 219,8 km em deslocamento regular, horário coincide com o momento do socorro. Após o socorro: registros passaram a indicar apenas movimentações ligadas ao atendimento e à remoção do corpo. Encerramento do rastreamento: sinal foi finalizado em Itajubá (MG), onde fica a funerária. A Polícia Civil informou que realizou perícia no local e encaminhou o corpo ao Posto Médico-Legal para exames de necropsia. O laudo deve apontar as circunstâncias e a causa da morte. A mulher que se reinventou depois dos 40 Amigos descrevem Eliana como alguém que se transformou por meio do esporte Redes sociais Amigos descrevem Eliana como alguém que transformou completamente a própria vida por meio do ciclismo. O ciclista Vinícius Freitas, um dos amigos mais próximos dela no esporte, contou que a atleta começou a pedalar há cerca de cinco anos e mergulhou intensamente no universo do esporte. “Ela começou a andar de bicicleta recentemente e se entregou de forma completa e absoluta. Começou a treinar, fazer musculação, pedalar em mais de uma modalidade. O esporte foi protagonista na transformação da vida dela”, afirmou. Segundo Vinícius, Eliana se tornou um exemplo de reinvenção para outras mulheres. “São muitas mulheres que passam a vida sem acreditar que ainda podem sonhar. A Lili se entregou ao sonho do esporte, conquistou grandes resultados e virou referência”, disse. Ele contou que a amiga começou praticando mountain bike, passou pelas provas de estrada e depois se apaixonou pelo ultraciclismo — modalidade em que os atletas percorrem centenas de quilômetros praticamente sem apoio, carregando seus próprios equipamentos e tomando decisões sozinhos ao longo do caminho. “A modalidade exige muito mais do que força física. Você precisa decidir onde vai dormir, o que vai comer, como vai seguir viagem. Ela amava isso. O exemplo da Lili vai além do esporte”, afirmou. Intensa e contagiante Ciclista incentivava outras pessoas no meio esportivo Redes sociais A ciclista Laura Marques, de 41 anos, conheceu Eliana após ela vencer o Caminhos de Rosa, uma das principais provas de resistência do ciclismo mineiro. A partir dali, as duas passaram a treinar juntas e desenvolveram amizade dentro do esporte. “Quando eu vi a empolgação dela no Caminhos de Rosa, pensei: essa mulher tem perfil para o Bikingman”, contou Laura. Segundo ela, Eliana tinha uma personalidade intensa e contagiante. “A Lili era uma pessoa de muita energia. Ela vivia tudo de forma intensa. Era competitiva com ela mesma, queria sempre se superar. Era muito conhecida por não desistir”, disse. Laura lembrou ainda que Eliana incentivava constantemente outras pessoas, principalmente mulheres, a começarem no esporte. “Ela veio de um histórico que não era favorável para um atleta. Ela contava que era obesa, perdeu peso e se encontrou no ciclismo. Isso fazia ela inspirar muitas pessoas”, afirmou. Referência feminina no ultraciclismo Eliana Tamietti colecionou conquistas importantes no ciclismo Redes sociais Mesmo tendo começado no esporte mais tarde, Eliana rapidamente acumulou resultados importantes. Ela foi bicampeã dos 300 quilômetros do Caminhos de Rosa, em 2023 e 2024, e vice-campeã mineira de contra-relógio individual em 2023. Em 2025, completou sua primeira prova internacional de ultradistância, a Across Andes, com 857 quilômetros e mais de 12 mil metros de altimetria acumulada. Também participou de edições anteriores do Bikingman em 2024, 2025 e 2026. No ano passado, terminou a edição Mantiqueira da prova com mais de 9 mil metros de altimetria acumulada e conquistou o terceiro lugar entre as mulheres. Segundo Vinícius Martins, diretor de prova do Bikingman, Eliana já era reconhecida nacionalmente dentro da modalidade e tinha apoio formal de uma fabricante internacional de bicicletas. “Ela era embaixadora de uma grande marca e tinha reconhecimento importante dentro do ciclismo feminino amador”, afirmou. O ciclista John Edesson, que conheceu Eliana em eventos de ciclismo em 2024, disse que ela costumava acolher atletas que passavam por Belo Horizonte. “Toda vez que eu passava por BH, ela me ajudava. A gente se encontrava para tomar um café, conversar, registrar o momento. Era uma pessoa muito inspiradora”, contou. “Viva intensamente cada momento” Em um depoimento divulgado por um patrocinador no ano passado, Eliana resumiu a maneira como enxergava o esporte e a vida. “Cada vez que você transpõe um desafio, você quer mais. A gente vai escalonando os sonhos. Uma pessoa que é capaz de pedalar 300 km sem parar tem uma mente transformada. Ela não acredita que as coisas são impossíveis, ela acredita que tudo é possível. Viva intensamente cada momento”, disse. Quem era Eliana Tamietti, ciclista que morreu durante prova entre SP e MG Redes sociais Eliana deixa o marido, Marcos Paulo, e a filha Bárbara, de 27 anos. Mesmo após a morte da atleta, a organização decidiu manter a competição em acordo com a família. “Toda a equipe do BikingMan presta suas mais sinceras condolências e, com a decisão em conjunto com a família, seguiremos com o evento honrando a vontade da Lili em percorrer os caminhos da Mantiqueira”, informou o Bikingman. O sepultamento de Eliana Tamietti aconteceu neste domingo (10), no Parque Renascer Cemitério e Crematório, em Contagem (MG). Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/05/10/ela-queria-sempre-se-superar-quem-era-eliana-tamietti-ciclista-que-morreu-durante-prova-entre-sp-e-mg.ghtml


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