Castelo do Alemão: Conheça a construção cercada de mistérios e lendas no litoral de SP

  • 06/06/2026
(Foto: Reprodução)
‘Castelo do Alemão’ em Peruíbe mistura lendas, história e mistério no litoral de SP Mistérios e lendas rondam uma residência próxima à Estrada do Guaraú, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Conhecido como 'Castelo do Alemão' ou 'Castelinho', o imóvel alimenta o imaginário popular com histórias que vão de supostas ligações com o nazismo a relatos de cárcere privado. Entre pátios e torres, o local reforça a aura de mistério que chama a atenção de quem passa pela Prainha. Inspirado na arquitetura medieval portuguesa, a construção ostenta brasões gravados nas paredes de pedra, grandes portões de madeira e cercas que reforçam sua imponência. Entre os símbolos espalhados pelo imóvel, chama atenção uma espécie de cruz, associada ao movimento neonazista da Lituânia. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Ao g1, o historiador e secretário de Meio Ambiente de Peruíbe, Eduardo Ribas, revelou a verdadeira história por trás da construção erguida no fim da década de 1960 e esclareceu os boatos que se tornaram parte do folclore local. Uma das versões mais difundidas afirma que o castelo teria sido construído por um alemão fugitivo da Segunda Guerra Mundial. Ribas, no entanto, garante que essa narrativa não passa de mito. Castelo do Alemão’ em Peruíbe mistura lendas, história e mistério no litoral de SP Reprodução/Youtube/Caçadores de Horizontes “Ele não era alemão. O nome dele era Hardy Lopes Giusti. O apelido veio porque, em 1988, saiu no jornal que encontraram várias relíquias ligadas ao nazismo na casa dele, em São Paulo. A partir daí, começaram a chamar de ‘Castelo do Alemão’”, explicou. Giusti era engenheiro e eletricista, e foi preso pelos crimes de lesão corporal dolosa, cárcere privado e omissão de socorro contra a própria mãe, em São Paulo. Essas informações, já citadas pelo historiador, foram detalhadas pelo Jornal do Brasil à época, e as lendas sobre o homem e a construção começaram a ganhar corpo. De acordo com Ribas, o dono do 'castelo' era visto como uma figura excêntrica e enigmática. Pelas ruas de Peruíbe, aparecia sempre com camisa preta de manga comprida, calça preta e botas. “Ele não tinha muito contato nem amizades. Se alguém se aproximasse do muro do castelo, chegava a dar tiros por cima da cabeça para afastar curiosos”, relatou. Prisão, elementos nazistas e cárcere privado ‘Castelo do Alemão’ em Peruíbe mistura lendas, história e mistério no litoral de SP Reprodução/Youtube/Caçadores de Horizontes No dia 1º de junho de 1988, o Jornal do Brasil noticiou a prisão em flagrante de Hardy Lopes Giusti, então com 62 anos, após agredir e manter em cárcere privado sua mãe, Olívia Lopes Giusti, professora de piano aposentada, de 82 anos. No sobrado onde vivia, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, a polícia apreendeu seis armas — entre elas um fuzil automático e uma metralhadora alemã calibre .45 — além de cerca de 3 mil cartuchos. Também foram encontrados objetos e bandeiras de inspiração nazista, medalhas e condecorações semelhantes às usadas pelo regime, além de livros, como: “O nazismo sem máscara”, de Bauer Rois, e “Les Medicins Maudits”, de Christian Bernadac, cuja capa trazia uma suástica. Os policiais localizaram ainda recortes de jornais sobre a Segunda Guerra Mundial e uma fita cassete com discurso de Adolf Hitler, o hino nazista, a Marcha Militar de Schubert e músicas de apologia ao regime. Questionado, Giusti negou ter agredido a mãe, mas admitiu à polícia que a trancava em casa porque, segundo ele, ela não tinha condições de sair sozinha. Ele disse ser aposentado da Prefeitura de São Paulo, colecionador de armas e estudioso do nazismo, além de afirmar ter lecionado por 17 anos em uma universidade. ‘Castelo do Alemão’ em Peruíbe mistura lendas, história e mistério no litoral de SP Reprodução/Youtube/Caçadores de Horizontes A mãe, que apresentava sinais de perda de lucidez, disse aos policiais que o filho tinha ciúmes e, por isso, a impedia de sair à rua. Ainda naquele dia, a polícia realizou uma busca na casa de praia de Giusti, em Peruíbe, na expectativa de encontrar mais armas. Não há registros sobre o que foi apreendido no “Castelo do Alemão”. Morte e abandono No início dos anos 1990, Hardy Lopes Giusti tirou a própria vida com um tiro na cabeça, dentro do castelo. Segundo o historiador Eduardo Ribas, o imóvel foi deixado como herança para uma sobrinha e para uma funcionária, como forma de quitar dívidas trabalhistas. Com o tempo, a construção entrou em estado de abandono e passou a ter visitação proibida. Mais do que nunca, tornou-se cenário de histórias e lendas que atraem turistas e curiosos que passam pela região. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/06/06/castelo-do-alemao-conheca-a-construcao-cercada-de-misterios-e-lendas-no-litoral-de-sp.ghtml


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