Carta para meu filho daqui a 20 anos

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida de uma brasileira é, atualmente, de 79,9 anos. Embora eu tenha passado dos 60, vou abraçar o otimismo ao escrever essa carta, endereçada a meu filho, para daqui a 20 anos. Minha intenção é seguir o que prego na coluna há quase uma década, pavimentando o caminho para uma longevidade ativa. Repetindo a cartilha: zelar pela saúde física e mental, cultivar uma rede de apoio de amigos, manter o cérebro afiado, e, por último, mas igualmente relevante, buscar segurança financeira. Mãe e filho: numa carta para o futuro, o pedido para que ele não caia na armadilha etarista de infantilizar o idoso Acervo pessoal Meu querido: Você sabe que nunca fui daquelas que fazem questão de um almoço nessa data, tanto que já comemoramos o Dia das Mães antes e depois do segundo domingo de maio. Para mim, o importante é encontrar oportunidades de estar por perto e aproveitar o que somente é possível com a convivência: afagos, cafunés e uma intimidade gostosa e relaxada. Ao longo dos anos, me dediquei a programar viagens em família, porque não há nada melhor do que compartilhar experiências e construir lembranças para estreitar os laços. Também sempre me ofereci para cuidar dos netos, porque era mais uma maneira de acompanhar o dia a dia deles – e fazê-los entender que eu era um porto seguro no qual poderiam encontrar refúgio caso precisassem. O fundamental é que, daqui a 20 anos (ou 30, quem sabe?), você não perca de vista que sua mãe, além de ser uma superidosa, é alguém que teve uma história da qual se orgulha: construiu uma carreira digna; cultivou amigos; ama livros, filmes, séries, música e balé – sem contar a paixão por viajar. Não caia na armadilha da condescendência: infantilizar o velho é uma atitude etarista, que ignora o repertório acumulado em sua trajetória. Exercício de futuro: daqui a 20 anos, “você já será um jovem idoso e deve começar a pensar em como gostaria de ser tratado” Acervo pessoal Na verdade, é possível que ainda possa ajudar os que me rodeiam a navegar nesse mundo tão complexo. Portanto, se estiver lúcida, respeite minhas decisões, minha autonomia, para que eu seja dona do meu destino até o fim. Resumindo: contenha o ímpeto de querer decidir por mim. Se tivermos que enfrentar um quadro de declínio cognitivo, lembre-se de que as memórias antigas ficam preservadas por um bom tempo – não me tornarei uma estranha de uma hora para a outra. Aliás, você já será um jovem idoso e deve começar a pensar em como gostaria de ser tratado no futuro. Pratique comigo. A aluna mais velha da minha professora de alongamento tem 99 anos e comemora os aniversários com champanhe. Pretendo seguir seus passos, apesar de saber que acidentes de percurso podem ocorrer. Nesse caso, não se esqueça de que meu maior presente sempre foi estar contigo. Mesmo que eu não tenha a disposição de hoje, continuará sendo meu programa preferido. Da sua mãe, com todo o amor que houver nesta vida.

FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/05/10/carta-para-meu-filho-daqui-a-20-anos.ghtml


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